O Grande Final da missão Cassini

Há quase 20 anos, a missão Cassini-Huygens era lançada em direcção a Saturno amanhã esta missão chegará ao fim, com a entrada controlada do orbitador Cassini na atmosfera de Saturno. Bons sonhos Cassini!

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Animação do Grande Final da missão Cassini (Crédito: NASA/JPL)

A missão Cassini-Huygens, mais conhecida por Cassini, era constituída por dois elementos e foi o resultado de quase duas décadas de colaboração entre diversas agências espaciais, cujo objectivo era estudar em detalhe Saturno, as suas luas e os seus anéis.

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A missão tinha dois componentes principais: o orbitador Cassini (NASA/ASI), que recebeu o nome do astrónomo Giovanni Cassini, que descobriu que o anel de Saturno era composto por varias faixas independentes e descobriu também quatro luas novas; e a sonda Huygens (ESA), que recebeu o nome do astrónomo, matemático e físico Christiaan Huygens, que descobriu a lua Titã.

A missão foi lançada no dia 15 de Outubro de 1997 a bordo de um foguetão Titan IVB/Centaur e chegou a Saturno no dia 1 de Julho de 2004. No dia de Natal de 2006 a sonda Huygens “despediu-se” do orbitador Cassini e iniciou a sua descida até à superficie de Titã, onde chegou no dia 14 de Janeiro de 2005.

Depois de quase duas décadas de missão e de exceder todas as expectativas e cumprir todos os objectivos propostos estamos a meras horas do final de uma missão histórica que mudou a forma como o mundo e a comunidade científica viam Saturno e as suas luas. Neste momento quase todo o combustível que o orbitador Cassini levava foi gasto e os responsáveis da missão decidiram provocar uma entrada controlada do orbitador na atmosfera de Saturno, provocando a sua destruição. Esta decisão foi tomada para evitar uma futura queda não programada numa das luas de Saturno, evitando desta forma uma possível contaminação de Encélado (com o seu oceano de água líquida e as suas plumas planetárias) ou Titã (com a sua complexa química prébiótica).

Aquando da extensão da missão em 2010, Cassini começou a viagem final de 7 anos, levando a cabo um sem numero de órbitas em torno de várias luas de Saturno enquanto registava as mudanças sazonais tanto em Saturno como na sua lua Titã. O plano desta fase da missão era já gastar todo o combustível a bordo enquanto procedia à recolha de dados do sistema saturniano, culminando com o “mergulho” em Saturno. Em Abril de 2017, o orbitador iniciou último capítulo duma aventura interplanetária, levando a cabo 22 órbitas audaciosas entre o Saturno e os seus anéis. Esta fase, chamada de o Grande Final, ajudou a conhecer e estudar Saturno e os seus anéis mais perto do que alguma vez se pensou (sendo uma fase da missão de alto risco, foi guardada para último, quando perder o orbitador não seria tão grave como numa fase inicial).

No dia 15 de Setembro de 2017, o orbitador fára uma última aproximação ao planeta gigante Saturno, mas esta aproximação será será irrepetível pois Cassini irá mergulhar na atmosfera do planeta. Nesta última operação e durante o mergulho na atmosfera, o orbitador irá enviar dados dos instrumentos científicos a bordo durante todo o tempo em que os seus pequenos propulsores conseguirem manter a antena apontada na diracção do planeta Terra. A perda de sinal (LoS) da Cassini deverá ocorrer aproximandamente a 1500 kilómetros das nuvens de Saturno. Cerca 30 segundos depois, a nave começará a desintegrar-se e em poucos minutos todos os detroços da Cassini terão sido completamente incinerados e consumidos pela atmosfera de gigante gasoso Saturno.

Devido ao atraso nas comunicações entre Saturno e a Terra, só teremos a confirmação da destruição da Cassini e a consequente perda de sinal (LoS) cerca de 86 minutos depois do sucedido (12.55h GMT hora em que se calcula que o orbitador Cassini entrará na atmosfera de Saturno). Esta última transmissão será recebida pelo complexo do Deep Space Network em Camberra, Austrália.

Fica aqui o vídeo divulgado pela NASA, com os momentos mais importantes destes 20 anos de missão e como a nave que estudou o sistema de Saturno, fará parte do próprio planeta. (Vídeo em inglês)

O legado da missão Cassini-Huygens irá perdurar por muitas décadas, mesmo depois do orbitador Cassini se desintegrar em Saturno.

Para acompanhar a transmissão das últimas informações sobre o fim da missão Cassini, basta ver a transmissão em directo do canal da NASA (Vídeo abaixo)

Mais informação:

Lançamento da Missão Cassini-Huygens (Inglês)

Página Oficial da Cassini Grand Finale (Inglês)

Deep Space Network (Para acompanhar a última transmissão da Cassini)

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Participação no Podcast “Non-Euclidean-Aethercast”

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No passado mês de Fevereiro, a convite de Marcus R. Gilman falei sobre o meu trabalho como cientista planetária, incluindo dicussões sobre casas de banho espaciais e impressoras 3D para imprimir desde taças de café da estação espacial, rovers marcianos e até réplicas de astrodroides de uma galáxia muito muito distante.

Podem fazer download do episódio ou ouvir directamente na página que vos forneço abaixo. O podcast é em Inglês, e tem a duração de cerca de 40minutos, mas garanto muitas gargalhadas (foi muito divertido e um prazer poder falar com Marcus, sobretudo sobre o meu trabalho em ciências planetárias).

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Página oficial do Podcast –> Link

Todas as opiniões expressadas são minhas e não refletem as das instituições com que colaboro.

Chang’e 5 e a ambiciosa missão de trazer amostras lunares para a Terra pela primeira vez em 40 anos

A Chang’e 5 faz parte do Programa Chinês de Exploração Lunar (CLEP (sigla em inglês) Chinese Lunar Exploration Program), mais conhecido como o Programa Chang’e (nome da deusa chinesa da Lua). Este audacioso programa contempla orbitadores lunares (Chang’e 1, 2 e 3), rovers (Chang’e 3 – Yutu e Chang’e 4) e uma missão de recolha de amostras (Chang’e 5).

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Chang’e 3 e Yutu (órbita prevista e libertação do módulo de alunagem Yutu)

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Timelapse dos primeiros metros da viagem do rover lunar Yutu (2013)

 

 

Será a primeira vez em 40 anos que amostras lunares são trazidas para a Terra, a última vez que uma missão tripulada trouxe amostras foi quando a missão Apollo 17 regressou em Dezembro de 1972. Mas o programa robótico soviético Luna, conseguiu por três vezes recolher e trazer para a Terra pequenas quantidades de rególito lunar.

A última missão do programa Luna foi Luna 24, em Agosto de 1976, recolheu cerca de 170g de Mare Crisium. Foi a terceira missão de recolha-retorno de amostras, sendo a primeira Luna 16, seguida da Luna 20. Este programa foi pioneiro pois foi a primeira vez que uma missão robótica recolhia e regressava à Terra com amostras de outro corpo celeste, recorrendo apenas à robótica. Depois da Luna 24, só em 14 de Dezembro de 2013 (37 anos depois), é que o Homem regressou à superfície lunar com a missão chinesa Cheng’e 3.

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Amostra de basalto lunar (70017), rocha lunar recolhida pela missão Apollo 17. É um basalto Ilmenite, como grnade concentração de Titânio e tem cerca de 3,7 mil milhões de anos. (Fonte: Meyer, C. (2008) Link para informação mais detalhada e estudo completo da amostra –> 70017 Ilmenite Basalt 2957 gram, Lunar Sample Compendium, NASA.)

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Luna 24 módulo de ascensão e de alunagem (Representação artística)

Um dos objetivos do programa CLEP é o estudo da Lua como fonte de elementos e minerais raros, que dificilmente encontramos na Terra em grandes quantidades. Com a recente aposta da China na nova Tiangong (a segunda estação espacial da agência chinesa), só nos resta pensar que planos existem no futuro da exploração lunar chinesa.

clepEsse propósito de exploração lunar tripulada, pode ser interpretada directamente do logotipo eleito para representar o próprio programa, com duas pegadas humanas no centro de um crescente lunar estilizado, representa o objectivo último, uma missão tripulada chinesa na Lua. Tendo em conta o calendário disponível, será algures entre 2025-2030.

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Cientistas chineses a trabalhar nos módulos de alunagem e de ascensão da Cheng’e 5 (esquerda); Cápsula de reentrada da Cheng’e 5 que irá transportar as amostras recolhidas (direita) (Crédito: Andrew Jones – captura da emissão da China Central Television CCTV)

A equipa da CLEP está já a finalizar os preparativos para o lançamento da Chang’e 5, que está programado para a segunda metade de 2017.
Esta missão irá envolver uma série de componentes que irão assistir na alunagem, amostragem lunar, ascensão, “docking” com a cápsula de reentrada e regresso à Terra.
O local de alunagem já foi escolhido e alvo de estudo mais aprofundado por parte dos orbitadores, mas as coordenadas ainda não foram tornadas públicas.

A Chang’e 5 não sera a última missão robótica chinesa à Lua, já em 2018 a China irá tentar alunar na face distante da Lua usando a Chang’e 4 (o módulo de alunagem e rover de suporte à missão Chang’e 3) e um satélite de “relay” para facilitar as comunicações.

A Chang’e 6 poderá ser lançada cerca de 2020, numa ambiciosa tentativa de recolha-retorno de amostras da face distante da Lua, combinando assim os conhecimentos tecnológicos adquiridos por missões anteriores.
Fonte –> Link
Mais Informação:
Luna 24 (Inglês) –> Link
Apollo 17 (Inglês) –> Link
CLEP (Inglês) –> Link

Exploração de Plutão

No Verão de 2015, a missão New Horizons da NASA, chegou ao sistema de Plutão e em poucos minutos revolucionou a forma como até a esse momento se “imaginava” o nosso Sistema Solar para lá de Neptuno.

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A evolução de Plutão através das diferentes missões espaciais, e a “revolução” que foi a chegada da New Horizons ao sistema de Plutão (Crédito da Imagem: NASA)

No passado dia 22 de Março, na 47th Lunar and Planetary Science Conference, o investigador principal da Missão New Horizons, Alan Stern falou da exploração do sistema de Plutão e do impacto social e científico desta missão interplanetária.

A conferência entitulada “The Exploration of the Pluto System and the Kuiper Belt Beyond” [Abstract #1317] (A Exploração do Sistema de Plutão e a Cintura de Kuiper), foi dada por Alan Stern, dando o mote para toda uma sessão dedicada às descobertas feitas aquando da passagem da New Horizons pelo seu alvo principal, em Julho de 2015.

De forma informal, Alan Stern emocionou todos quantos se reuniram no auditório, entre as centenas de pessoas ali reunidas estavam desde cientistas seniores a estudantes e investigadores em início de carreira e com a ovação de pé que marcou o fim da intervenção de Stern, certamente poucos foram os que ficaram indiferentes às palavras de encorajamento e inspiração proferidas pelo cientista que esteve no leme da mediática missão a Plutão.

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Alan Stern no Marriot Waterway – Houston, TX (Crédito da Imagem: Joana Neto-Lima)

Na palestra (que está integralmente disponível online), Stern leva-nos numa viagem desde o planeamento (em tempo recorde) da missão, aos compromissos que por vezes um cientista tem de fazer para conseguir que a sua missão seja escolhida (dinheiro vs ciencia, por vezes é um equilibrio delicado, principalmente quando muitas das decisões importantes estão nas mãos de políticos ou cargos politizados), passando pela aprovação da missão New Horizons, ao lançamento e à passagem da nave pelo sistema de Plutão. No final deu-nos um pequeno vislumbre das maravilhas que se puderam ver, medir e descobrir no pequeno planeta (que o deixou de ser enquanto a nave New Horizons voava ao seu encontro) e os próximos alvos na Cintura de Kuiper.

 

Link para a página oficial da missão (Inglês) –> Link
Link para a notícia “Viagem a Plutão” –> Link
Link para o vídeo (Inglês) –> Link
Link para a apresentação powerpoint (Inglês) –> Link

 

Encontros “Iniciativa Europa”

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Poster da III Reunião da “Iniciativa Europa”

Previamente designada por Europa Clipper, a missão interplanetária da NASA Europa Multiple-Flyby começa cada vez mais a ganhar forma. Em Maio do ano passado foram anunciados os instrumentos seleccionados para seguir a bordo aquando do seu lançamento previsto para 2020. Agora a ESA prepara um “elemento de voo” para se juntar à missão, a convite da NASA.

No final do ano passado, a NASA convidou a ESA para contribuir com um “elemento de voo” de 250Kg, juntando assim as duas agências espaciais nesta missão que tem planeadas 45 órbitas em torno da lua gelada de Júpiter, Europa. Este “elemento” é uma oportunidade para a ESA poder participar numa missão única como esta (a única a centrar os seus objectivos na lua Europa nas próximas décadas) e poder estudar uma das luas mais fascinantes do nosso Sistema Solar.

Numa “Call to Proposals” (Chamada a Propostas) no final do ano passado, a ESA pediu que a comunidade científica dos seus países membros se reunisse e apresentasse projectos de média dimensão (M5). Com este “elemento” ambas as agências prevêem recolher importantes dados que ajudarão a complementar a missão científica principal da NASA, ou seja obter ainda mais informação determinante da habitabilidade da lua Europa.

Uma série de três reuniões foi organizada para estudar e decidir qual a melhor forma de aproveitar os 250kg que a NASA disponibilizou e manter-se dentro dos limites orçamentais de uma missão de Classe M da ESA (cerca de 550 milhões de euros).

Das discussões preliminares saíram 5 propostas de veículos que abrangem 6 diferentes áreas científicas intrinsecamente ligadas ao objectivo principal da missão (conforme esquema abaixo apresentado).

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I Encontro “Iniciativa Europa” – The First Akon Europa Penetrator Workshop (Royal Astronomical Society – Londres)

Este primeiro encontro focou-se principalmente na proposta de um penetrador [Ponto 4], chamado Akon para acompanhar a missão da NASA. Os tópicos abordados nesta reunião incidiram sobre: desenvolvimentos tecnológicos do penetrador; objectivos científicos do penetrador Akon e como será transportado até à superfície de Europa; potenciais instrumentos do penetrador Akon, que poderão analisar a ténue atmosfera de Europa, a composição da superfície ou das camadas mais superficiais, através de análises geofísicas e de geomorfologia, astrobiológicas e de habitabilidade. (Informação mais detalhada: Link)

II Encontro “Iniciativa Europa” (IRAP Institute, Observatoire Midi-Pyrénées – Toulouse)

O segundo encontro, explorou e desenvolveu as restantes propostas de possíveis veículos a incluir na missão Europa Multiple-Flyby: orbitador, minisat orbitador e um “soft lander” (à imagem da sonda Huygens e Philae) [Pontos 2,3 e 5 respectivamente] (Informação mais detalhada: Link)

III Encontro “Iniciativa Europa” (Centro de Astrobiología, INTA-CSIC – Madrid)

O terceiro e último encontro, irá ser a síntese de todos e daqui deverá sair a proposta a ser entregue à ESA para a missão M5. Serão discutidas os 5 diferentes pontos abordados separadamente nos anteriores encontros e após cuidada análise dos objectivos científicos e tecnológicos será escolhida qual a melhor opção.

Este encontro será realizado no próximo dia 29 de Fevereiro e prolonga-se até ao dia 1 de Março e será transmitido em directo através do link fornecido na página dedicada ao Encontro (Link)

Mais Informação:
Post sobre a selecção dos instrumentos da Missão Europa Clipper ou Europa Multiple-Flyby Mission –> Link
Europa –> Link
Europa Multiple-Flyby Mission (Inglês) –> Link

IV AEICBAS Biomedical Congress

No próximo dia 4 de Março, realiza-se o quarto Congresso de Ciências Biomédicas. O evento prolonga-se pelo fim-de-semana, com palestras e workshops dedicados às diferentes ciências que são abrangidas pelo Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar.

Cartaz com cursos

Foi com muito prazer que aceitei o convite para, no dia 6 de Março, falar sobre o meu trabalho no Centro de Astrobiología (associado ao NAI (NASA Astrobiology Institute)).

Para mais informações (programa, palestrantes e inscrições) –> Link

Meteomarte – Marte nas Escolas

O protagonista principal deste projecto educativo é, para além dos estudantes nele envolvidos, a estação de monitorização ambiental REMS (Rover Environmental Monitoring Station) do rover Curiosity. Este instrumento foi desenhado e desenvolvido pelo Centro de Astrobiología (CAB) e é um dos dez instrumentos científicos a bordo da missão Mars Science Laboratory (MSL) da NASA, que está actualmente na superfície de Marte.

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Rover Curiosity em Marte (Representação artística) Crédito da Imagem: NASA

O objectivo principal da REMS é a recolha de dados meteorológicos à superfície do planeta vermelho, inicialmente durante dois anos, mas devido ao sucesso da missão, segue tomando dados, estes dados são essenciais para avaliar a habitabilidade de Marte e ajudar a preparar a chegada da missão humana a este planeta.

Este projecto começou no ano lectivo 2012-2013, coincidindo com o lançamento e chegada da missão MSL a Marte e foram cinquenta e duas as escolas e centros educativos seleccionados para receber uma estação meteorológica e assim integrar o programa. Neste ano lectivo e no advento da chegada de uma actualização ao programa Meteomarte, Portugal entra a bordo.

O programa Meteomarte pode ( e deve) envolver toda a comunidade escolar e consiste na toma dos dados recolhidos pela estação meteorológica, análise e tratamento dos dados e comparação com os dados recolhidos pela REMS em Marte.

Uma escola no Norte do país, mais exactamente em Águas Santas, na cidade da Maia, recebeu uma das estações atribuídas inicialmente às escolas espanholas. Esta escola-piloto servirá como ponto de partida para que mais escolas possam possibilitar aos seus alunos uma experiência enriquecedora e sobretudo uma forma de incentivar o estudo/ensino das ciências planetárias e a divulgação das ciências espaciais em ambiente escolar. Ajudando assim a alargar horizontes e trazer Portugal para a vanguarda do desenvolvimento de tecnologias que podem ser um dia levadas para além do nosso planeta azul.

Em Espanha, o programa Meteomarte está essencialmente orientado para alunos do básico, em Portugal queremos alargar até aos alunos de secundário e pré-universitário, os primeiros alunos a participar são alunos de secundário prestes a entrar no mundo do trabalho ou a seguir uma carreira universitária.

Se mais alguma escola ou professor está interessado em participar neste programa pode entrar em contacto através da nossa página de Facebook ou através do email [jlima@cab.inta-csic.es]

Mais Informação (Espanhol) –> Centro de Astrobiología – Meteomarte
REMS (Português) –> Link

A Ciência por quem a faz e por quem a ensina [2015]

No passado dia 7 de Setembro realizou-se o encontro anual de professores de ciências e matemáticas, organizado pelo Centro de Formação MaiaTrofa intitulado “A Ciência por quem a faz e por quem a ensina”.

headerO período da manhã foi ocupado por palestras de cientistas de diversas áreas de investigação: João Relvas (IBMC), Paulo Araújo Sá (FEUP), António Machiavelo (FCUP) e Víctor Freitas (FCUP).

Da parte de tarde vários workshops devotados ao tema “Ensinar com o “Espaço” ocuparam o tempo dos participantes: Joana Neto Lima (Astrobiologia), Rosa Soares (Astrogeologia), José Gonçalves e Paulo Sanches (Astrofísica), João Fernandes (Os Astros e a Matemática) e Rosa Duran (Cosmic Light EDU).

O Workshop de Astrobiologia e Astrogeologia foram campeões de assistência e foram necessárias 3 sessões para todos os inscritos poderem assistir.

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Workshop de Astrobiologia Crédito da Imagem: CFMaia Trofa

No Workshop, além de explicar o que é a Astrobiologia e como se procura vida no Universo, falei no meu caso concreto e na investigação que desenvolvo no Centro de Astrobiologia, aproveitei a ocasião e apresentei oficialmente o programa Meteomarte – Marte nas Escolas, cuja escola-piloto será a sede do Agrupamento de Escolas de Águas Santas, na Cidade da Maia, deixando o desafio para mais escolas se juntarem ao projecto.

Para quem não teve a oportunidade de estar presente, disponibilizo aqui o pdf da apresentação que dinamizei.

PDF –> Workshop Ciencia Professores

Link –> CFMT A Ciência 2015

Oceano global em Encélado

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Esquema do novo modelo do interior da lua gelada Encélado. Crédito da Imagem: NASA

Um oceano global de água líquida existe por baixo da crosta gelada da lua de Saturno, Encélado, segundo novas interpretações dos dados recolhidos pela missão Cassini da NASA.

Os investigadores da missão descobriram que o campo magnético e a própria órbita de Encélado sofrem ligeiras alterações durante a sua viagem em torno de Saturno, essas alterações/variações são consistentes apenas se a camada de gelo exterior de Encélado não estiver completamente gelada até à camada rochosa, significando que entre essas duas camadas existe uma de água líquida que provocará as alterações magnéticas detectadas.

Esta descoberta implica que as plumas de vapor de água, partículas de gelo e moléculas orgânicas simples observadas pela Cassini a serem ejectadas de fracturas perto do pólo sul de Encélado são “alimentadas” por este vasto reservatório de água líquida. A investigação foi publicada esta semana na ICARUS (uma publicação online de artigos científicos na área das ciências planetárias).

Análises anteriores a estes dados sugeriam a presença de um corpo de água ou mar lenticular, presente apenas na região do pólo sul de Encélado. Contudo, dados gravitacionais recolhidos durante as órbitas mais próximas do pólo sul desta lua suportavam a possibilidade do corpo de água ser global.

“Este era um problema complexo que requereu anos de observações e cálculos envolvendo diversas áreas científicas, mas estamos confiantes que finalmente chegamos à resposta certa.” afirmou Peter Thomas, um dos membros da equipa de tratamento de imagens da Universidade de Cornell e autor principal deste artigo científico, que mudará certamente a forma como vemos e estudamos esta lua gelada de Saturno.

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Imagem conceptualizada da chegada da sonda Cassini-Huygens a Saturno Crédito da Imagem: NASA

Os cientistas da missão Cassini analisaram mais de sete anos de imagens de Encélado obtidas pela sonda espacial que se encontra em órbita de Saturno desde meados de 2004. Cuidadosamente mapearam as posições das estruturas geológicas observadas em Encélado – a maioria crateras – ao longo de centenas e centenas de imagens, para poderem medir e quantificar as alterações na rotação da lua com extrema precisão. Resultado: descobriram que Encélado exibe uma pequena oscilação à medida que orbita Saturno. Porque a lua gelada não é perfeitamente esférica – e porque a sua velocidade durante a órbita de Saturno sofre também variações – o planeta gigante subtilmente puxa Encélado para trás e para a frente à medida que roda.

A equipa utilizou os dados recolhidos pela sonda das anomalias orbitais e magnéticas, de seguida usando diferentes modelos de Encélado (p.e. Encélado completamente gelado, com apenas um corpo de água no pólo sul, etc), chegaram ao presente modelo de um oceano global como explicação para essas anomalias.

Os mecanismos que impediram o total congelamento do oceano de Encélado permanecem um mistério. Os investigadores sugerem algumas ideias para o estudo futuro para que se possa finalmente desvendar esta questão, incluindo a possibilidade de que as forças tidais provocadas pela gravidade de Saturno possam estar a gerar muito mais calor em Encélado do que se pensava até agora.

“Este é um passo decisivo para o conhecimento desta lua, e é ilustrativo do tipo de descobertas que outras missões deste género podem contribuir para o estudo de outros planetas,” afirma a co-autora do artigo Carolyn Porco, da equipa de Imaging no Space Science Institute em Boulder, Colorado. “A Cassini tem sido um excelente exemplo disto mesmo.”

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Encélado Crédito da Imagem: NASA

As constantes descobertas e triunfos científicos no conhecimento da lua Encélado é a jóia da coroa da longa missão de Cassini no sistema de Saturno. Primeiro os cientistas da missão detectaram os primeiros sinais de plumas planetárias no início de 2005, e de seguida a detecção e análise do material que foi projectado de fracturas perto do pólo Sul desta lua. Nessa altura anunciaram a existência de um corpo de água local de forma lenticular e neste ano divulgaram dados que sugerem a existência de actividade hidrotermal no fundo do mar de Encélado.

A Cassini tem programada uma nova órbita de Encélado para o próximo dia 28 de Outubro, sendo esta a órbita mais próxima da superfície gelada desta lua e das suas plumas planetárias. O voo quase rasante irá passar a apenas 49km da superfície.

Mais Informação –> Página oficial da NASA para a missão CASSINI

Participação no Só Ler Não Basta

No passado dia 4 de Julho fui convidada a participar na webseries “Só Ler Não Basta” num episódio dedicado ao livro de Andy Weir, The Martian.

Para quem ainda não teve a oportunidade de ler este livro, fica desde já a recomendação, principalmente para quem gosta de ciência e exploração espacial.

Em The Martian (O Marciano em português), Mark Watney é um astronauta preso em Marte depois de uma tempestade que obriga a restante equipa a abandonar prematuramente a missão ARES. Na evacuação, Mark é atingido por destroços do habitat e é deixado para trás, presumivelmente morto. Durante o desenvolver da história acompanhamos os desafios de Mark e a forma como este consegue sobreviver contra todas as expectativas, apenas com um punhado de batatas e equipamento deixado para trás no planeta vermelho.

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Depois de muitas peripécias com o Google Hangouts (que já tem comigo um longo historial de sabotagem), foi necessário mudar o formato e usar o Skype.

Aqui fica a minha participação nesta Webseries que recomendo para todos quantos gostam de livros, numa abrasadora noite de Verão madrileno pouco depois da minha chegada da Escola Internacional de Astrobiologia, em Santander.